8.10.07

“Eis que vos digo, meu jovem...”

Mesmo tendo crescido dentro de uma igreja histórica e sendo doutrinado por pastores de fala reformada, nunca tive a dificuldade de aceitar e acreditar que Deus fala particularmente com alguns, ainda hoje, através de profetas. Não acredito que isso necessariamente vai contra a doutrina que a bíblia é a revelação perfeita e completa do evangelho de Jesus.

Mesmo acreditando, sempre fico com pé atrás quando me deparo com aquelas profecias gerais, estilo "tarô gospel", que podem acontecer com qualquer um em qualquer lugar.

Profetadas como: "Deus tem preparado maravilhas para alguém nesse culto!" Mas não é desse tipo de "profetada" que gostaria de falar, e sim daquelas que vem direto do Pai.

Mas mesmo com as verdadeiras profecias algo sempre me incomodou nos mensageiros dos nossos dias, o modo pelo qual eles levam a mensagem. O inabalável padrão com que começam a maioria das revelações: "Eis que vos digo, meu servo..."

Não entendo o porque Deus falaria desse jeito em pleno século XXI. O que aconteceu com o Deus atemporal no qual nós acreditamos? Ficou preso aos anos 50? Por que Deus não pode falar assim: "Olha meu amigo, tenho uma mensagem para você..." ou: "ô cara, se liga! Escuta aqui..." ?

Alguns poderiam falar que estou tentando vulgarizar a mensagem de Deus. Mas acredito que o problema é mais profundo do que este argumento, ou será que nós acreditamos que Deus só fala na linguagem revista e atualizada? Por que será que a bíblia na linguagem de hoje nunca se popularizou, sendo que é muito mais simples e fácil de entender?

Como disse acredito que o problema é outro, um reflexo de um preconceito evangélico com a juventude. Penso que ainda temos uma mentalidade na igreja de que o novo é profano e que o antigo é sagrado. Que tudo que é novo é profano, assim como a linguagem moderna, as gírias, as roupas, os estilos, ou seja, os jovens. É isso mesmo, no fundo é isso que muitos dos nossos líderes nos passam em suas atitudes e em suas mensagens, que as coisas antigas são sagradas, mas que as novas, assim como o jovem, são profanas.

Acredito na sabedoria dos senhores e senhoras das nossas igrejas, e que devemos ouvi-los mais do que fazemos hoje, mas agir como se nós ou nosso jeito não passasse de um jeito profano vai contra a própria bíblia. Textos como "aproveitem o dia da sua juventude, antes que venham os maus dias" ou "jovem, eu falo para vocês porque vocês são fortes", entre outros, mostram claramente que Deus é a favor também dos jovens e do seu jeito de ser.

O pensador Nietzsche acreditava que Deus não passava de uma projeção de nós mesmos, dos nossos jeitos e peculiaridades, e que por isso ele era a penas uma imagem de nós e não um Ser independente. Pois a Palavra Dele nos diz exatamente o contrário, que nós somos a imagem Dele e que Deus se inclina quando quer se revelar a nós, humanos, se limitando até em nossa linguagem falada limitada.

Sei que quando minha amada avó Maria senta na velha cama e fala com o seu Senhor amado de anos de caminhada, Ele ainda responde na boa e velha linguagem dos anos cinqüenta, pois este é o linguajar que fala ao seu coração. Mas também creio em um Deus com um linguajar do nosso tempo, rápido e forte, assim como os jovens são. Um linguajar que fale igual ao nosso.

Por isso preste bastante atenção, pois tenho uma mensagem para você: Eis que vos digo, meu servo: "Eu, teu Deus, também falo na linguagem de hoje, na linguajem moderna, no linguajar dos jovens".

(Escrito em 2006 para BibliaWorld)

2 comentários:

  1. Victor Fontana, Alphaville23 de out de 2007 01:01:00

    Marcos,

    Já tinha lido este seu texto em particular e devo dizer que a sua inquietação com formas de expressão é uma das coisas que lhe faz um opregador diferenciado e que alcança esta geração.

    Continue com muito conteúdo, mas sempre com formato inovador.

    A propósito... JV vai aproveitar a onda da Tropa de Elite? Hehehe... Acho que nós a qui da presbi de Alphaville vamos usar de alguma forma... ainda num sei como.

    Grande Abs

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  2. O Vitão, que bom que vc deu uma passada aqui no blog, obrigado cara!
    Meu, a gente chegou a pensar, mas eh tao polêmico que decidimos deixar de lado... mas vamos fazer um tipo de brincadeira aqui nesse tema! hahahaha
    Abraços

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