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8.7.09

Sombras da Alma - DVD: LAMPEJOS



A peça “Sombras da Alma” é uma das cinco peças do Novo DVD LAMPEJOS, uma parceria da Terra dos Palhaços e JV na Estrada.

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17.4.09

Uma mensagem eficaz para a nova geração!



Faça o DOWNLOAD para o seu MP3-PLAYER!

Ouça a mensagem que foi feita para o II encontro Nacional da Terra dos Palhaços realizado no Jovens da Verdade.

“A sociedade sacraliza o seu passado e profana o seu presente.”

“Hoje se prega contando história. Os pontos foram absorvidos em um só.”

“Jesus decidiu dar a maior notícia de todos os tempos contando histórias.”

“Para os que querem deixar um legado tem que entender que a mensagem tem que ser mais profundas do que longa.”

“Por causa da barreira cultural, temporal e da forma escrita não entendemos o humor de Jesus.”

“Quando realmente entendermos a graça de Jesus na cruz, o belo se tornará real e a gente vai poder ver a gloria de Deus.”


Marcos Botelho

13.5.08

Peça não é pregação


As peças não podem ser confundidas com pregações, elas não vieram substituir e, nem se quiséssemos, faríamos com êxito. Aliás, é quando nós, escritores de peças, entendemos que não temos este dever e nem esta missão, que conseguimos abrir nossas mentes, tirar um peso de nossas costas e começamos a produzir coisas boas.

Muita gente vem conversar comigo e até pedir oração, alegando que não conseguem criar algo novo, belo e impactante. Pedem para eu dar conselhos e técnicas para eles exercitarem e conseguirem, no final, escrever e produzir uma peça.

Não sei onde fica o limite entre a disciplina e a inspiração, mas é verdade que podemos treinar nossa mente para ser mais criativa quanto a criação de peças.

Mas fique sabendo que se você pedisse uma dica minha para criar ou escrever uma peça, falaria de primeira: Lembre-se de que você não está pregando.

Quando digo isso, falo da forma tradicional de pregação e evangelização, onde temos que falar do pecado, da cruz e fazer o apelo. Toda peça tem alguém preso ao pecado, com muitos problemas com bebida, drogas, sexo e dinheiro. Aí Jesus aparece vestido de branco e é crucificado, mas ressuscita e depois destrói tudo que é ruim e sai abraçado com o pecador.

Sei que este tipo de história alcançou muita gente, mas será que toda peça de crente tem que ter o mesmo roteiro? Antes de ver a gente já sabe o começo, o meio e o fim. Será que sempre Jesus vai aparecer do nada e resolver tudo como um passe de mágica na vida real?

A gente do “Terra dos Palhaços” apresenta uma peça de namoro que acaba com o casal se separando e muitos vem me sugerir para colocar Jesus e restaurar o casamento.

Mesmo sabendo que Jesus tem restaurado muitos casamentos, achamos melhor colocar só o impacto, afinal de contas, tem histórias que nem sempre acabam bem.

Tirar o peso de ter que pregar na peça, onde você tem que solucionar tudo em Jesus, vai abrir a sua mente e jogar este peso para o pregador que vem depois dela, ou até para você conversar com as pessoas que foram impactadas depois da apresentação.

Precisamos de peças menos moralistas e mais verdadeiras, pois quando as pessoas assistirem a representação que será mostrada de forma honesta e verdadeira, irão também se auto-avaliar de forma honesta e verdadeira e, vão perceber que precisam de algo que as salve e aí sim pode entrar a palavra que vai apontar Jesus, O Cristo.

Não podemos abrir mão da pregação, do plano de salvação, mas você deve entender que a sua peça serve para introduzir um assunto e não para fechá-lo.

9.4.08

A graça do palhaço e a do Senhor Jesus


Antes de começarmos este diálogo, gostaria que você se desprendesse de qualquer preconceito com a palavra e a figura do palhaço. Entenda o palhaço é um arquétipo do ser humano, mas como as emoções, traços e situações exageradas. O termo palhaço ou palhaçada se transformou pejorativo. Mas não é este o nosso entendimento sobre o palhaço, não me sinto ofendido quando brincam inúmeras vezes comigo me chamando de palhaço. Por isso gostaria de gastar um tempo falando a essência de nossas palhaçadas a partir de algo que aconteceu quando estava começando a trabalhar com palhaços.

Lembro-me que estava encantado com a arte circense e estava correndo atrás de tudo o que me lembrava palhaço, procurava algo para poder entreter as pessoas, já que ainda não sabia direito como fazer as peças. Foi quando achei uma flor de palhaço, era uma flor que atrás possuía uma mangueira que dava num compartimento que ficava no nosso bolso cheio d'agua. Logo pensei: Perfeito! Vou comprar!

No dia da apresentação de uma história chamada “A criação”, eu estava no palco como palhaço auxiliar ajudando o palhaço Paulinho (MPC). Naquele dia eu estava com a minha flor, que espirra água, na camisa do palhaço. Fui até o público, que estava empolgado, peguei uma jovem que iria participar da história como a Eva, perguntamos o nome dela e pedimos para ela sentar na cadeira que estava na frente. Enquanto o palhaço principal continuava a história, fiz um gesto para ela cheirar a minha flor vermelha e ela gentilmente se inclinou para isso. Ao chegar perto apertei no meu bolso o squizer e espirrou água bem no rosto dela. Só que boa parte do jato foi direto no olho dela e rapidamente ela colocou a mão no olho e se contraiu na cadeira. Com muita sorte minha, ela foi gentil e continuou lá na frente logo após limpar o rosto. Mas isto poderia ter sido bem pior, além de ofendê-la poderia ter criado uma situação embaraçosa e até estragar a apresentação.

Hoje eu entendo por que aquela brincadeira não deu certo, a graça foi as custas dela e não do palhaço. Eu queria que todos dessem risada por que ela estava com a cara molhada, porque ela se deu mal!

O que isso tudo tem a ver com Jesus? Tudo. Desculpe-me o trocadilho, mas a graça do evangelho foi à custa do próprio Senhor Jesus e não de nós. Jesus assumiu a responsabilidade de tudo, ele pagou o preço da salvação na cruz, a graça do evangelho foi às custas dEle, do seu sacrifício vicário.

Essa é uma grande diferença de graça. Existem “palhaços” que tiram risadas às custas dos outros, às vezes do entrevistado, ou das pessoas que estão passando na rua e nós achamos engraçado isso, porque gostamos de ver as reações da pessoa que está sendo zoada. Não quero fazer juízo de valor dos atores que fazem isso, mas não é essa a proposta da graça que estamos passando com o Ministério terra dos Palhaços, mas sim uma graça superior, a amparada no exemplo de Cristo.

É a proposta do humor onde o palhaço se dá “mal”, batendo na porta de um hospital para tirar um sorriso de uma criança hospitalizada, ou de um palhaço que demonstra com gestos que o companheiro dele (outro palhaço) está fedendo, ou até de um palhaço que com um pequeno vento na praça começa a se agarrar no poste para não “voar” junto com as folhas, onde todos acham graça por perceber que não passa de uma brisa leve.

Isso é a verdadeira graça, devemos buscar sempre fazer uma junção saudável entre a graça dos palhaços e a graça do nosso senhor Jesus Cristo. Que ela sempre seja estabelecida às custas de quem a oferece. Pois aí sim, veremos pessoas felizes não apenas pelo humor do palhaço, mas pela graça que esta por trás do palhaço.

6.2.08

Não quero colocar os pés no chão


Tive uma ótima educação religiosa em casa. Lembro-me que toda noite, antes de dormir, minha mãe nos ensinava que deveríamos orar e lembrar, na presença do Pai, o que aconteceu durante o dia e agradecer.

Por isso, toda vez que deitava, me cobria bem com o cobertor pesado da minha cama e começava minha oração falando: “Obrigado Deus por ter feito isso e aquilo no dia de hoje...” Mas o que me incomodava é que quase nunca chegava ao fim da minha oração, pois ao lembrar do dia me vinha à cabeça as possibilidades de mil outros desdobramentos que podiam ter acontecido naquele dia, outras falas, outros encontros e, quando eu percebia já estava em um outro mundo, no da imaginação e da fantasia, onde era muito real o maravilhoso beijo que nunca tive coragem de dar naquela menina da escola, ou a comemoração do gol que nunca fiz (e na verdade nunca vou fazer), o discurso no estádio que foi aplaudido de pé e que mudou a história de um país.

O pior é que no meio da fantasia lembrava que estava orando, voltava rápido para a oração e falava: “muito obrigado Deus, em nome de Jesus amem”. E tentava retornar ao ponto onde eu tinha deixado a história. Às vezes conseguia, outras, já tinha ficado para trás e não era a mesma coisa, não era mais tão real.

Sempre foi assim na minha vida, nunca consegui ler longos trechos de livros de uma só vez, pois quando chegava na quarta ou quinta página parava e me perguntava o que tinha lido e não sabia mais, pois a minha cabeça já tinha ido longe por alguma faísca que um trecho do texto tinha me dado. Assim era com palestras, musicas e tudo mais.

Tive professores que me repreenderam dizendo que eu era muito avoado e que precisava me concentrar mais no presente, colocar os pés no chão.

Provavelmente eles tinham razão e foi quando comecei a exercitar a minha mente a não mais “viajar” quando lia um texto, ouvia uma palestra, uma música ou fazia uma oração.

Essa idéia veio muito mais forte quando comecei a lidar com a igreja local e descobri que fantasia para os evangélicos era algo ruim, daqueles que fugiam da realidade, uma coisa inútil e fútil, algo perigoso ou até pecaminoso para uma mente de um jovem cristão.

Atualmente, eu escrevo peças para palhaços e sei que o mais marcante em cada uma delas é o fato de saber lidar com a realidade dos problemas humanos sem perder a “graça” de uma boa história, sem perder o lúdico e a fantasia que tínhamos quando ouvíamos histórias quando crianças.

Hoje, em consultas e conversas de bastidores, o que mais os futuros escritores me perguntam é como ter uma mente fértil e criativa para produzir coisas novas e belas.

Minha oração é para que seus professores, seus pais ou suas igrejas não tenham te ensinado que colocar os pés no chão é o único caminho para entender a vida. Que você possa compreender que imaginar é experimentar um pouco mais do céu, das coisas espirituais, imaginar é bom, é benção, é dom de Deus.

Esta é a minha oração, mas não confie muito nela não, pois provavelmente não vou chegar ao fim dessa também... Amém!

2.1.08

Fantasiar não é pecado


Lembro-me de um encontro de pastores e líderes da SEPAL onde um líder de uma igreja na Bahia me chamou no canto e pediu para eu orar por ele, pois há muito tempo não conseguia produzir uma peça nova. Contou-me que, quando entrou na igreja, sua mente era muito fértil, ele sempre criava algo novo na área de teatro e isso o deixava realizado no chamado que Deus tinha lhe dado. Ele só não sabia o porque tinha estagnado, algo havia paralisado a mente dele.

Naquela noite eu orei com ele, mas também expliquei rapidamente alguns problemas que o crente enfrenta no ambiente eclesiástico e que ele precisava identificá-los para poder superá-los.

Muita gente vem conversar comigo e até pedir oração, pois alegam que não conseguem criar algo novo, belo e impactante. Me pedem conselhos e técnicas para eles exercitarem e conseguirem no final escrever e produzir uma peça.

Não sei ao certo onde fica o limite entre a disciplina e a inspiração, mas é verdade que podemos treinar nossa mente para ser mais criativa quanto à criação de peças.

Um dos problemas é que existe uma idéia nas igrejas, explícitas ou implícitas, de que imaginar, fantasiar é pecado. Um bom crente não inventa moda na hora de falar uma verdade, pois a forma figurada é o ultimo passo para a idolatria.

Mas quando voltamos à bíblia percebemos que as figuras, principalmente no antigo testamento, e a imaginação são soltas na linguagem poética, contos e textos apocalípticos. O próprio Jesus não era a favor de ir direto ao assunto, sempre imaginava e contava uma historia para ilustrar uma verdade.

Usando uma figura para os criadores de peças, diria que a bíblia é o quadro mais lindo que existe, um quadro de contornos em preto e branco, mas cada intérprete o colori de acordo com sua realidade ou seu sentimento no momento. Intencionalmente ou não, quando expomos este quadro ele é apresentado com as cores que nós colocamos, podendo ser algo acinzentado ou bem colorido, de acordo com o intérprete.

Assim, quando colocamos a nossa imaginação para reinterpretar algo do cotidiano ou bíblico, devemos colorir os detalhes, as lacunas em branco sem passar por cima dos traços principais da pintura, pois não devemos esquecer que a cor que colocamos sem tirar o contorno pode apenas ressaltar os traços ou borrá-los.

Não é pecado imaginar, não é pecado ter fantasias, as crianças podem nos ensinar isso muito bem, elas são PhD’s na arte de fantasiar. Temos que nos tornar mais crianças se quisermos trabalhar na criação de peças. Não estou falando em peças para crianças (apenas), estou falando de peças que usam a fantasia e a imaginação para todas as idades.

Não tenha medo de imaginar as histórias bíblicas, de remontar os detalhes e de ir além. Não apenas falar o que não foi registrado pelos personagens, falar o que os objetos falariam se pudessem falar, porque, na verdade, eles podem através da fantasia, através de você.

O seu limite é a graça de Deus, é o amor ao próximo, pois você está colocando a arte e a imaginação a serviço dEle e apontando para Ele.